Problema do paciente
Minha avó morreu há quase 21 anos. Eu era uma idiota de apenas 17. Ela foi mal atendida no hospital para onde a levamos. Em um momento, arrancou o acesso — estava com dor, não conseguia ficar com os braços parados. Lembro da funcionária chamando sua atenção por se mexer demais. E da ampola de morfina. Era uma cidade do interior. Mas isso não justifica um atendimento ruim. Comecei a trabalhar no SUS Betim aos 19 anos, faltando poucos dias para completar 20. Tímida, sem experiência alguma — era meu primeiro emprego. Mal conseguia falar alto o bastante para ser ouvida. Hoje tenho 18 anos de experiência e nunca deixei um usuário do SUS sem atendimento ou sem orientação que pudesse ajudá-lo a receber o que tem direito. Quem trabalha no setor público trabalha com o que tem — e, geralmente, temos muito pouco. Às vezes até gastamos do próprio bolso para suprir o que falta. Mas boa vontade ninguém fornece, ninguém compra. Você tem ou não tem. Pode até desenvolver, mas tem que ...