O conceito de natureza não é natural
As comunidades indígenas e as sociedades orientais são lembradas como modelos de relações harmônicas com a natureza. Para diversos ecologistas, o paraíso projetado no reino dos céus, pode estar em outras sociedades. Isso, nada mais é do que uma fuga dos problemas concretos, muitas vezes, derivada de uma incompreensão das razões pelas quais, em nossa sociedade as coisas são do jeito do modo que vemos hoje.
O conceito de natureza é criado e instituído pelos homens e constitui um dos pilares através do qual erguemos nossa cultura.
A maneira como a natureza é vista pela vista pela sociedade tem servido como um dos suportes para o modo como produzimos e vivemos o que tem nos causado problemas e contra o qual constituímos o movimento ecológico.
A natureza no dia-a-dia
A idéia de natureza que predomina em nossa sociedade está presente em expressões que usamos em nosso dia-a-dia, relacionando a floresta (selva) e os animais a algo negativo, sempre oposto aos comportamentos considerados civilizados, cultos, bons e corretos.
Em nossa sociedade a natureza é o que se opõe à cultura, que é tida como algo superior que conseguiu “controlar” e “dominar” a natureza. Dominar a natureza é dominar a inconstância, o imprevisível; é dominar o instinto, as pulsões, as paixões.
O reino animal é tido como lugar dos instintos e, para evitar que retornemos a ele, nos valemos do Estado, das leis, da ordem. AO contrario do que pensam a maioria das pessoas, na natureza não reina o caos. Se olharmos à nossa volta, os Estados onde a lei e a ordem foram instituídas em nome da civilização verificaremos o quadro de fome, de guerras, de opressões e evidências de todos os tipos.
Além disso, a expressão “dominar a natureza” só tem sentido se considerarmos que o homem não faz parte da natureza. Mas se o homem também é natureza, como pode falar em dominar a natureza?
A natureza é vista como um objeto a ser dominado por um sujeito: o homem. Mas o termo sujeito tem mais de um significado – pode ser aquele que age ou aquele que se submete. A ação tem a sua contrapartida na submissão.
Este é o conceito de natureza que se tece em nossa sociedade no dia-a-dia. Precisamos agora localizar de onde brota essa visão de natureza entre nós.
Resumo dos textos “O conceito de natureza não é natural” e “A natureza no dia-a-dia” de Carlos Walter Porto Gonçalves.
Comentário
As pessoas acham graça quando se diz que os índios, por exemplo, são exemplos a serem seguidos quando falamos da relação homem-natureza. Mas, se analisarmos os problemas da nossa sociedade, seremos obrigados a concordar que são mesmo grandes exemplos.
Os povos vistos como primitivos e selvagens, na verdade, possuem uma organização social muito mais eficaz do que a nossa com a divisão de trabalho bem organizada e têm respeito ao meio em que vivem e que lhes fornece alimento. Isso também deveria ser aplicado também nas sociedades evoluídas, industrializadas. Precisamos cuidar dos recursos que ainda estão disponíveis para nós e evitar que se acabem.
Vemos a natureza como objeto criado para servir as nossas necessidades. Além de tirar da natureza tudo o que ela possui, queremos ainda que ela vire uma verdadeira maquina que produz sem parar apenas para beneficio do homem.
As pessoas se relacionam “muito bem” com a natureza, principalmente quando falam dos animais. Exemplos ‘Seu cachorro!’, ‘Aquele veado!’, ‘Criança burra!’, etc.
Na verdade, ao contrário do que acontece com os animais chamados humanos, os outros animais possuem muito mais qualidades do que defeito. Por exemplo, o cachorro que é amigo fiel, carinhoso, companheiro o tempo todo.
Mas por que não dizemos ao nosso melhor amigo que ele é um cachorro de forma carinhosa como um elogio? Claro que seria estranho. De acordo com nossa “descultura” as coisas não funcionam assim. Lembro da novela O Clone, da rede Globo, em que mulçumanos vieram morar no Brasil. Não lembro muito bem do capítulo porque não o vi desde inicio, mas lembro do personagem Mohamed que, querendo elogiar sua vizinha brasileira, se eu não me engano vivida pela atriz Elisângela, a chamou de galinha e ela entendeu isso como um insulto fortíssimo, imperdoável. Mas não foi a intenção dele que, chamava a própria esposa de gazela (animal bonito, de porte elegante, velocidade e desenvoltura. Morri de rir da situação.
O homem não domina a natureza. Ele depende dela. Ela é que nos domina e nós aprendemos a lidar com ela de várias formas estando atentos às previsões o tempo, aos alertas de tornado e tsunamis. Nós aprendemos e precisamos aprender mais, como usá-la nosso favor sem, no entanto, destruí-la. Ninguém é capaz de controlar um furacão, evitar que aconteça um terremoto, uma nevasca e outros eventos naturais. O ser humano não é nada perto da força da natureza.
No entanto, não adianta ler algo, entender sua mensagem e achar nela uma verdade e depois esquecer aquilo. Há em tudo que lemos ou vemos uma lição. É preciso enxergá-la e acreditar nela verdadeiramente e seguir o caminho que ela indica. É preciso respeitar as outras formas de vida e a nossa própria espécie.
Nós ainda temos jeito. Precisamos parar para pensar no que gostaríamos que fizessem com a gente, analisar se podemos fazer isso com outros seres vivos. Devemos ainda respirar fundo para termos fôlego suficiente para agir de acordo com as conclusões as quais chegamos e não parar.
Faz dois anos que escrevi isso e só agora consegui como publicar. Recentemente eu assiti ao filme Avatar e gostei muito da maneira como o Povo Na’vi vivia em seu planeta com um equilíbrio e uma interligação fortíssima entre todos os deres do planeta. Achei uma historia emocionante e acredito que tenha muito haver com o tema do texto do Carlos Walter Porto Gonçalves. Não é preciso ter um cabelo com “minhoquinhas esquisitas” pra poder se conectar e manter o equilíbrio e o respeito com outro ser vivo. Mas acho que o assunto do filme é muito profundo e precisa de uma postagem mais completa, que virá em outra oportunidade.
Eu não tenho internet em casa e dependo de lan houses, mas tentarei manter esse blog atualizado.
N.L.
Eu tambem acredito que todo problema tem soluçao.....
ResponderExcluirMuito Interessante .Parabéns !!!!
ResponderExcluirBoa a iniciativa, Naralê. Discutir as questões que permeiam nossa existência equivale a algum progresso no campo do desenvolvimento humano e nos possibilitará viver de maneira mais harmônica.
ResponderExcluirAs questões ambientais são preferencialmente as mais abordadas. E precisam ser, já que alguns tem licença pra agredir o meio-ambiente, ou os 25% que restam, motivados pelo desejo descomunal de vantagem financeira. Protocolos de Montreal, de Kyoto e outros tratados de "paz ambiental" propõem uma tégua nos ataques contra a natureza, e no fim das contas, contra a própria humanidade. Quem assina a estes? Nenhuns dos cachorros-grandes que encabeçam a política putrefata deste sistema caótico. Pessimista, eu?
longe disso. Até as imobiliárias, sob o pretexto da moradia digna aos cidadãos, tem se tornado umas das principais destruidoras do habitat de diversas espécies. É uma pena ver animais selváticos quase que invadindo as casas, e já aconteceu mesmo, por que não têm mais onde achar seu alimento. Aff... Políticas públicas não são sequer levadas em conta pelos próprios governantes que dão o alvará da morte na mão dos mercenários, gananciosos e dos indivíduos que não tem apreço pela vida e despojam, e subvertem, e massacram as indefesas criaturas que são alvo de sua descomunal ganância.
Apenas, se tivessem conhecimento de Apocalipse 11:18 saberiam que não ficarão impunes. Ainda há tempo de se mudar de proceder, individual e coletivamente. Discutir estas questões e outras pertinentes são um meio de dizer: "eu não compactuo com esse processo mortal de destruição licenciada". (King)